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Educação

Alunos queixam-se de repressão no Colégio São Teotónio

Todo o cuidado é pouco nesta escola. Por um simples deslize, o aluno pode ser obrigado a lavar a privada

Ana Moreira (nome fictício) foi obrigada a lavar o quarto de banho pelo simples facto de ter sido encontrada a mascar pastilhas elásticas dentro da sala de aula. Ela é estudante do Colégio São Teotónio de Angola onde, nos últimos dias, tem sido um autêntico calvário para os petizes que ali estudam.

Os alunos queixam-se de que têm sido alvo de maus tratos por parte dos professores da instituição que tem dez salas de aula e lecciona até à 12ª classe. “Fui obrigado a lavar o pátio da escola durante duas semanas por ter discutido com um colega dentro da sala de aula”, contou um dos estudantes desta escola privada que preferiu o anonimato: “O meu colega teve que lavar o quarto de banho”.

Por qualquer indisciplina, os alunos estão sujeitos a um castigo do género. Algumas vezes, são obrigados a ficar de joelhos durante a aula, só por terem feito barulho. Entre os alunos é unânime a ideia de que os castigos de que têm sido alvo são demasiado severos mas revelam-se receosos em se queixarem aos seus encarregados de educação por temerem represálias, principalmente no final do ano lectivo. Segundo alguns os “indisciplinados” no São Teotónio são obrigados a tratar do jardim, ficar de joelhos, lavar o quintal ou a casa de banho. Diariamente, os delegados de turma apresentam uma lista nominal dos barulhentos, que, posteriormente, são submetidos aos castigos “rotineiros”. “Uns lavam o quintal ou o quarto de banho.

Outros regam as plantas e há ainda os que ficam de joelhos durante um bom tempo”, confirmou uma aluna, que só aceitou falar numa das ruas adjacentes ao referido colégio. Na terça-feira, 11, O PAÍS interpelou outros alunos à entrada do São Teotónio. A maioria recusou confirmar ou não as informações chegadas à redacção deste jornal. Uns alegaram que poderiam ser alvo das normas impostas pela direcção pedagógica do colégio. “Desculpa, não posso falar por mais tempo, porque se tocar o sino já não entro na escola”, alegou um deles. Os alunos garantiram que não têm direito aos 15 minutos de compensação para entrar nas salas de aulas. Esse procedimento não é aplicado nesta instituição de ensino particular. “Se chegarmos ao colégio às 13 horas e 30 minutos (hora de entrada) não nos deixam entrar e com isso já perdi alguns exames”, desabafou Joana, acrescentando que “moro distante e nem sempre tenho a possibilidade de pegar o taxi e chegar antes das 13 horas”.

Durante o tempo de aulas nenhum aluno pode sair da instituição, porque os portões permanecem trancados com correntes e cadeado. Os alunos ficam das 13 h 30 às 18 horas sem poderem sair. E mesmo que haja alguma emergência, os guardas têm-se mantido relutantes em não os deixar sair. “Parece um centro de recruta militar”, ironizou um aluno. A equipa de reportagem de O PAÍS contactou a directora do colégio, Maria Manuela Santa Rosa, que negou categoricamente as acusações feitas pelos alunos:“Temos empregadas de limpeza e jardineiros. Por isso, não há necessidade de submetermos os alunos a esses trabalhos forçados”, disse a responsável do colégio São Teotónio, solicitando que o assunto não fosse publicado neste jornal. O colégio existe desde 1998 e as propinas rondam os 150 dólares norte-americanos .

Cada colégio tem o seu regulamento

Uma fonte da secção de Ensino Particular da Direcção Provincial da Educação de Luanda garantiu que cada instituição de ensino privado cria o seu próprio regulamento interno, que é submetido ao Ministério da Educação. No regulamento constam as obrigações dos alunos e o processo disciplinar a ser aplicado em caso de qualquer infracção. Segundo a nossa fonte, não existe nenhum regulamento aprovado pelo ministério onde constam castigos comunitários. “No início de cada ano lectivo, o regulamento é apresentado a cada encarregado de educação. Não creio que os castigos comunitários constem dos regulamentos do São Teotónio de Angola”, assegurou a nossa fonte, adicionando que “nas instituições de ensino, os castigos admissíveis são a suspensão das aulas, a falta disciplinar vermelha e a censura”. Os serviços comunitários baseiamse apenas em varrer a sala de aula ou regar plantas, mas nunca colocar os estudantes de joelhos ou castigo físico, porque essas situações não são permitidas por lei. “Se no regulamento interno desta instituição constar os serviços comunitários aprovados previamente pelos pais dos alunos, nada podemos fazer, mas, caso contrário, está a violar um regulamento geral de ensino. Os castigos comunitários quando aplicados de forma repetitiva perdem o carácter pedagógico, tornam aluno rebelde”, acrescentou, revelando que o castigo deve ter um carácter educativo e nunca repressivo ou inibidor. A nossa fonte realçou que o trabalho com adolescentes não é uma tarefa simples, razão pela qual defende que os docentes devem primar por uma contínua formação psicológica. “Há dias fui chamada pela polícia, porque seis alunos de uma instituição de ensino na Samba, com idades compreendidas entre 15 e 16 anos de idades, foram encontrados embriagados num botequim. Um deles teve que ser levado ao médico”, assegurou, acrescentando: “Muitos pais demitiram-se do seu papel, por isso aos professores cabe um duplo papel”. O colégio São Teotónio foi aberto ao abrigo do Decreto-Lei n.º 21, com infra-estruturas impróprias para fim escolar. Sem um pátio e uma área de lazer. Há 15 anos, segundo a nossa fonte, o objectivo do Ministério da Educação era o de enquadrar o maior número de crianças dentro do sistema de ensino, por isso o documento não era tão exigente.


“Castigos provocam consequências nefastas”

A psicóloga escolar, Madalena Vanda, é de opinião que determinados castigos aplicados a menores podem provocar consequências nefastas, como perturbações psicológicas, o medo, a fobia ou o pânico. Segundo ela, os métodos de correcção supostamente aplicados pelo Colégio São Teotónio são reprováveis e podem provocar a ausência de estudantes nas salas de aula.

“Muitos alunos deixam de ir à escola por causa destas práticas, que em nada os motivam a regressar às aulas. Eles deixam de ver a escola como um segundo lar”, disse Madalena Vanda. A psicóloga garantiu mesmo que os castigos, como por exemplo ficarem de joelhos durante horas, faz com que as crianças deixem de ver o professor como um exemplo a seguir. E acrescentou: “elas criam uma imagem adversa, descartando o que lhes foi passado em relação à escola e o professor, principalmente se estes castigos forem aplicados diante dos colegas de sala”. Questionado sobre os receios que os alunos têm em contar os maus-tratos aos pais, Madalena Vanda acredita que o diálogo entre os docentes para com os discentes tem sido assustador. A seu ver, no futuro essas crianças poderão transmitir a mesma educação repressiva a que têm sido submetidas pelos seus educandos.

“Muitas das vezes, devido à falta de afecto no lar, a criança refugiase no mau comportamento para chamar a atenção dos adultos”, sublinhou a nossa interlocutora, avançando ainda que “os professores devem dialogar com os encarregados de educação para perceberem o comportamento dos seus alunos. A escola é o complementar da socialização da criança”.

Waldney Oliveira
14 de Agosto de 2009
11:09
 
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Comentários

  1. D'Zarruma
    2010-07-07 03:51:17
    epah sou novo no colegio e ainda nao vi maus tratos nos alunos o colegio é 100%
  2. ellyh percheiro
    2010-06-24 23:19:53
    uma boa parte dos coment e verddade eu tbm xou aluna do sta ja vi 1 ou 2 alunos mas e um bom colegio.kuiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
  3. pedro
    2010-06-24 14:40:02
    Ola,meus amigos do jornal,não aprovo o bater ou um outro castigo que vem lezar o aluno mas devemos corrigi-los como pedagogo,dialogando com os mesmo.Porque, quanto mais duros sermos com eles mais endurecidos serão.
  4. janice gamboa
    2010-06-24 01:12:10
    Sinceramente. E infelizmente,estes alunos xtao a inventar.... Eu tmbm sou xtudante dxte colegio nem tudok xtao a dizer e verdade. Talvez 50%.
  5. pedro
    2010-06-07 11:04:03
    Olá meus amigos eu tambem ja fui aluno,quando a cabeça não regula o corpo é que paga,mas, não exagerando pelo castigo é bom quando for apenas correcional porque o aluno busca a educaçao em casa,escola,a Igreja e na prisão
  6. Cutchessy
    2009-11-17 12:52:55
    hey hey...Pessoal que andam por ai a falar mal do S.T.A e sobre coisas que nao sao veridicas é melhor par com isto porque eu tambem estudo no mesmo e nunca vi nada disto por isto convem interpretar bem as coisas. porque se nao (CASO TANGA
  7. valdemiro crazy
    2009-11-17 12:03:47
    xou o valdemiro crazy maliboo tnx razao nox jah ñ xtamox no tempo colonial e ñ xomox exkravo para xofre + tem um monte d meitira,vamox akabar kom ox zabuzox pk o nxxo colegio kuyar [Tipuh La Em Baixo].bjx valdemiro crazy
  8. dulce
    2009-10-27 13:51:08
    issuh e um axegeruh o sao teotonio e um bom colegio
  9. dulce
    2009-10-27 13:50:58
    issuh e um axegeruh o sao teotonio e um bom colegio
  10. Maliboo
    2009-08-29 00:44:23
    Eu axo isso um exagero... Ja nao estamos no tempo colonial... nao somos escravos para sofrer esses tipos de castigos
  11. Mário Smoke
    2009-08-27 15:07:39
    Epah eu sou caloiro e ja sofri castigos injustos,e há um professor que por raiva ou pirraça mesmo reprovou 55%dos alunos da minha turma e as condiçoes climaticas sao pessimas e o professor Zacarias devia comprar um perfume.Aquele homem tresanda á fossa."Fossa Humana". O "Professeur di Verdadi" devia ir pro "pimp-my-body"
  12. Jexikuita
    2009-08-26 18:43:08
    Epah...dexkulpem tbm nUm exagerem..=

  13. 2009-08-22 15:59:12
    Tudo mentira .....sou aluno do Colégio e nao afirmo que isso seja verdade
  14. Gabriela
    2009-08-22 00:08:39
    Marcos Eu estudo nesse colegio so esse ano,e as coisas mudam muito, por humilhaçao mandam te limpar o patio,no intervalo maior , para que os outros alunos,vejam e se riam de ti, e uma coisa muito humilhante, dao te ``CoCos´´ de uma maneira que parece anestesia, Esse Colegio Faz Com que Alunos sejam MAIS indisciplinados.
  15. f ' puma
    2009-08-21 00:43:31
    ... eph... 60% é verdadh ja o resto...
  16. kiesse kelly
    2009-08-21 00:07:50
    epah tbm ja fui aluna desde colegio eph to malaike
  17. Sofia
    2009-08-21 00:04:53
    Tem muitO + coisas para falar + o medo fala + altoO!!
  18. Alexandra
    2009-08-20 23:55:58
    Nao é exagero nenhum Marcos! Eu nunca sofri castigos como limpar o chao ou a privada, mas já me puseram ajoelhada, deram.me cocos e puxaram.me as orelhas varias vezes
  19. Sofia
    2009-08-20 23:49:00
    as coisas mudao marcos!!! Alguma coixas sao verdades xim xnhora!!! Porque ate eu estudo nexe colegio dxde pekena i ja sofri exe tipo de castigo!!
  20. Marcos Cássio
    2009-08-17 15:59:20
    NÃO acredito nisto, ja fui aluno deste colegio,tendo frequentado ate 2008.fui um rapaz problematico e muito indisciplinado e no entanto nao sofria represálias deste genero.tudo exagero por parte dos alunos..
  21. Marcos Cássio
    2009-08-17 15:54:25
    NÃO acredito nisto, ja fui aluno deste colegio,tendo ferquentado ate 2008.fui um rapaz problematico e muito indisciplinado e no entanto nao sofria represálias deste genero.tudo exagero por parte dos alunos..
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