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Dança Contemporânea de Angola (CDC)

O ritual da dança

“Peças Para Uma Sombra Iniciada E Outros Rituais Mais Ou Menos” é o nome curioso e algo enigmático do novo espectáculo da Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC), de autoria e direcção artística de Ana Clara Guerra Marques.

O espectáculo estreia hoje, dia 18 de Setembro, e será também apresentado a 19, 24, 25 e 26 às 20 horas, e 20 e 27 às 17 horas, no Cine Teatro Nacional. A peça que abre a temporada de estreia da CDC foi criada com base num trabalho académico de Ana Clara Guerra Marques, realizado através de entrevistas de campo efectuadas por todo o país.

Esta coreografia surge agora como uma nova tese, mas desta vez organizada num formato não convencional e apresentada num palco para partilha com o grande público.

A matéria-prima utilizada na concepção do espectáculo é resultado de um verdadeiro mergulho nas profundezas da cultura angolana, em particular da cultura cokwe, trabalho que a coreógrafa já desenvolve há mais de 20 anos. Ana Clara Guerra Marques deixa bem claro que o objectivo da dança contemporânea não passa por “transmitir uma mensagem”. No entanto, a artista possui o desejo “de que as pessoas assistam ao espectáculo e, nofi nal, não saíam as mesmas.

Queremos que se questionem, que riam, sorriam ou pensem em algum trauma ou problema das suas vidas”.

Durante a apresentação à imprensa foram mostradas várias “peças” daquilo a que o público poderá assistir nos próximos dias.

No palco desenrola-se, em momentos distintos, uma história de amor inusitada e tocante, os sons de percussionistas frenéticos e ritmados, os movimentos de danças assentes na imagem das máscaras, as palavras de contos antigos para fazer pensar.

Uma participação especial no espectáculo será a de David Mwa Mudiandu, “meu mestre que iniciou-me na cultura cokwe”, como frisa Ana Clara Guerra Marques. A autora explicou que esta nova coreografia do colectivo “permite aos espectadores entrar no universo das sombras, dos ogros e dos sonhos que se dissipam com os rituais.

É um olhar sobre o que há de mais profundo no saber da tradição oral, a literatura oral ou ‘oratura’ mas, também, no íntimo de cada um de nós. São as histórias que se ouvem, os mitos, os tabus e personagens que povoam a mente de quem quer e não quer ver tudo revelado”, explicou.

A tal “sombra iniciada”. Em palco estarão cinco bailarinos da CDC e três do grupo Yaka, além de Rossana Monteiro, da Dançarte. O espectáculo conta com a produção executiva de Jorge António. Recorde-se que a Companhia de Dança Contemporânea de Angola foi criada em 1991 e é umas das instituições pioneiras em África na divulgação desta arte.

Joana Simões Piedade
18 de Setembro de 2009
10:39
 
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Comentários

  1. Merche
    2009-09-21 10:29:45
    Mais uma vez! E muitas virão! Assim são os vencedores. Angola que se orgulhe desta filha que tanto tem feito pala Cultura Angolana. Muitos parabéns a todos aqueles que integraram o espectáculo, pois só lastimo, não estar na plateia. Abraços
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