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Detidos suspeitos de desvios no BNA

A Procuradoria-Geral da República deteve as primeiras dez pessoas envolvidas no descaminho de dinheiros por intermédio de operações fraudulentas executadas através do Banco Na

Dez cidadãos implicados no desvio das reservas internacionais do Banco Nacional de Angola (BNA), encontram-se detidos, revelou o responsável pela condução do inquérito, o procuradorgeral adjunto, Domingos Salvador Baxe, quando pontualizava a O PAÍS o desenrolar deste processo que investiga o desaparecimento de mais de 100 milhões de dólares.

“Agora já temos detidos. Como sabe, na primeira entrevista nós não tínhamos detidos. Agora não temos só suspeitos mas também detidos”, adiantou o condutor deste processo sem, no entanto, avançar as datas em que ocorreram estas detenções, bem como a identidade dos acusados. Fontes de O PAÍS avançaram, entretanto, que as primeiras detenções foram feitas no último fim de semana e as outras nesta segunda-feira. Sobre o fecho desta edição, quinta-feira 28, chegaram notícias dando conta de forte actividade de elementos da DNIC no bairro Alvalade, relacionada com o caso pelo que é possível que tenha crescido o número de detidos. Entre os detidos estão funcionários bancários e do Ministério das Finanças.

Segundo o procurador adjunto, a primeira etapa desta fase foi concluída com a recuperação de 90 por cento dos valores desviados, sendo que agora decorre a investigação e a consequente instrução do processo para que se possa chegar à fase final com êxito.

Os nomes das instituições bancárias onde foram recuperados estes valores, os países, bem como os montantes já em posse do BNA, são dados que ainda não podem ser revelados, por serem considerados em segredo de justiça, disse Domingos Baxe, que confirmou, entretanto, a continuidade das investigações com o intuito de determinar os responsáveis desta acção e o grau das suas responsabilidades.

Altos oficiais das FAA e da Polícia entre os detidos

Em respeito ao princípio de segredo de justiça e com vista a não interferir com todo o processo de investigação do “Caso BNA”. Este semanário apurou, entretanto, que entre os detidos contam-se alegandamente oficiais generais das Forças Armadas Angolanas e patentes superiores da Polícia.

A instrução do processo está sob a alçada directa da Procuradoria Geral da República que terá recorrido para a investigação e conta no processo de buscas e capturas ao concurso de oficiais operativos dos Serviços de Informação “Sinfo”, cujo chefe adjunto, comissário Eduardo Octávio, é visto com alguma frequência a franquear as portas do Ministério Público angolano que é tido como uma postura colaborante e de coordenação.Segundo uma fonte policial, entre os oficiais da Polícia detidos está um superintendente chefe, cujo nome tem as iniciais A.M., residente algures na zona da comissão do bairro Cazenga e um outro da Polícia Económica destacado na província de Benguela.

A rede que tem vindo a ser desmantelada integra ainda vários altos funcionários da direcção do Tesouro do Ministério das Finanças e do Banco Nacional de Angola, assim como falsificadores localizados no famoso “Pau Grande” do bairro Cazenga.

Disse a fonte que foi por descontentamento de um dos falsificadores que a coesão do grupo começou a ser posta em causa. Segundo apurou O PAÍS, dada a relação que um dos falsificadores de assinaturas tinha com o oficial da Polícia A.M., queixou-se do facto de não ter sido honrado um compromisso consigo, solicitando que este intercedesse em seu favor.

Na sequência, AM que tinha a obrigação de deter e desencadear um processo de investigação para encontrar os culpados, terá entendido por bem envolver-se também na rede de malfeitores que agora está a contas com a Justiça.

A fonte revelou que só nas últimas 24 horas foram detidas mais duas pessoas, uma das quais tinha depositado 9 milhões de dólares numa conta individual no Banco BIC.

O expediente agora a ser desmontado incluía uma empresa fictícia que alegadamente prestava serviço ao Estado e dirigiam-se ao Ministério das Finanças a quem cobravam estes supostos serviços.

Aí entravam em cena os falsificadores das assinaturas do titular da pasta das Finanças em conluio com funcionários da direcção nacional do Tesouro desse ministério.

Apurou também este jornal que o expediente incluía ainda pessoas em Portugal a quem eram enviadas avultadas somas em dinheiro que depois se encarregavam de retornálas de forma fraccionada para as contas domiciliadas em Angola.

Nesta altura, estão a ser confiscados todos os bens dos implicados neste caso cujos resultados deverão ser trazidos à tona nos próximos dias.

Outras fontes deste jornal disseram, entretanto, que a rede de falsificadores pode ter feito um trabalho de relações públicas e engajaram parentes próximos de altos dignitários do Estado angolano, não se podendo aferir se teriam estes agido com conhecimento prévio da trama.


A revelação do adjunto do Procurador-Geral da República deixa em aberto a eventualidade de acontecerem mais detenções de pessoas implicadas nessa rede que se presume tenha ramificações internacionais, ideia que vem reforçar a posição defendida pela Procuradoria que considera ser ainda prematuro avançar os nomes dos presumíveis envolvidos uma vez que, ao fazê-lo poderia, eventualmente, comprometer o andamento do processo.

Domingos Baxe lembra que se trata de um processo com nuances complexas, que exige serenidade, dedicação e rigor para a recolha das provas, razão porque apelou a todas as pessoas detentoras de informação sobre o assunto que ajudem na descoberta da verdade.

Os montantes desviados dos cofres do Estado, o número de pessoas envolvidas na acção, o tipo de organização e meios sofisticados utilizados para o cometimento desta infracção, são alguns factores que tornam complexa a investigação, no entender do magistrado do Ministério Público.

Ainda assim, o procurador adjunto não deixou de parte a hipótese deste caso envolver conexão internacional, na medida em que a ProcuradoriaGeral da República, avançou, “está na posse de informações e provas de que há cidadãos estrangeiros envolvidos”, porque há uma quantia significativa de dinheiro que foi enviada para o exterior do país.

No arranque das investigações a Procuradoria-geral da República havia definido como horizonte temporal para a sua conclusão o prazo de 45 dias, já que, na altura, encarava-se o processo como de réus presos, mas, contrariamente, era de suspeitos soltos. Com a existência de detidos significa que o prazo de prisão preventiva vai começar a contar agora.

De acordo com garantias do responsável deste inquérito, neste momento todos os esforços estão a ser envidados para que o mais rapidamente possível este caso conheça o seu desfecho apesar da sua delicadeza e complexidade.

 


Recuperação da diferença

As diligências efectuadas pelas autoridades angolanas parecem estar a ser frutíferas. Se anteriormente permitiram a recuperação de 90 por cento do valor desviado, na curta entrevista a O PAÍS o responsável pela condução deste processo revelou ainda que as acções em curso permitiram recuperar já grande parte da diferença que estava em falta.

A recuperação do dinheiro, ao que sabe, deveu-se ao facto de as autoridades angolanas terem bloqueado a tempo as transferências junto de alguns circuitos internacionais, que posteriormente procederam à sua devolução a Angola.

De acordo com a explicação, a transacção de grande montante de dinheiro de um país para outro procede-se através de circuitos internacionais, com centros localizados nas grandes praças financeiras do mundo como os Estados Unidos da América e Inglaterra, entre outros, o que torna o processo moroso, e que permitiu atempadamente Angola alertar estas instituições e bloquear as transferências.

Domingos Baxe disse também que a primeira fase do inquérito consistiu na recuperação do valor levado dos cofres do Estado, e a segunda fase decorre agora com a responsabilização criminal dos envolvidos, sendo que já existem dez arguidos detidos.

O magistrado reconhece que pela sua natureza, a informação avançada ainda não satisfaça a curiosidade dos cidadãos, por encontrar-se na fase de segredo de justiça, mas garantiu que este processo não cairá no esquecimento como muitas pessoas julgam, tal como outros que ainda correm naquela instância. “O caso BNA” despontou no mês de Novembro quando a Procuradoria-Geral da República publicou um comunicado de imprensa no qual denunciava a existência de irregularidades nos pagamentos efectuados no exterior pelo Ministério das Finanças e Banco Nacional de Angola resultantes de operações falsificadas.

Eugéni Mateus e Valdimiro Dias
29 de Janeiro de 2010
10:08
 
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Comentários

  1. tomorow
    2010-07-07 15:25:45
    só dizem que ja agarraram x + x + x nunca dizem os nomes das pessoas verdadeira, e nem mostrao, asim como é que o povo vai ficar a saber.isso é Angola.
  2. Dilma Bravo
    2010-05-29 13:47:14
    Por isso é k este país não vais pra frente
  3. sousa
    2010-05-01 15:29:00
    esperemos que seja feita a justuça para esses gatunos,que tanto roubaram.prq o desenvolvimento de um país tambem passa pela juctiça
  4. sousa
    2010-05-01 15:28:26
    esperemos que seja feita a justuça para esses gatunos,que tanto roubaram.prq o desenvolvimento de um país tambem passa pela juctiça
  5. catarina da costa
    2010-04-26 11:55:16
    seria bom que fossem todos punidos e que as suas caras fosemm a trazidas a publico para sabermos quem e quem
  6. jose Mateus
    2010-04-26 11:49:21
    fica melhor o lansamento pela internet dessa lista dos 10 detidos
  7. Nelo dos santos
    2010-03-10 10:59:21
    Sr.procurador so esperemos que se faca justiça mais para todos seja quem eles forem para este pais estar mas seguro obrigado
  8. Alberto
    2010-03-03 20:54:20
    Seria bom que a procuradoria geral da republica, publicasse os nomes dos gatunos que andam a a provocar desatre ao povo. eles j+a roubaram muitos pelos vistos. que se faça justiça por isso
  9. Alberto
    2010-03-03 20:53:50
    Seria bom que a procuradoria geral da republica, publicasse os nomes dos gatunos que andam a a provocar desatre ao povo. eles j+a roubaram muitos pelos vistos. que se faça justiça por isso
  10. joão mucaje quivuza
    2010-02-23 17:35:51
    por favor, se ajustiça existe no nosso país, então que façam a verdadeira justiça. Eu estou velho de tanto trabalhar por este país não tenho nada continuo pobre. agora estes meninos sabichões de ontem, já tem de tudo "com os dinheros roubados ao estado". Por isso pesso a PGR que fassa a verdadeira justiça e que investigue tambem bem a classe dos maiorais que andão no poleiri deste pais!...Que não fique como o processo 105. Lembram
  11. quim boy o proprio
    2010-02-17 22:02:06
    caros compatriotas disse em tempos o nosso mais velho" havemos de voltar" ai esta a chegar a época passada resolver os problemas do povo e isto parte em sermos honesto e sinceros para bons cargos. Faço grandes votos á P.G.R e em nome de toda a equipa de investigação muito sucesso e que este caso se materialize para o bom nome da nossa nação e do seu povo. Bem haja ao senhor amém.
  12. quim boy o proprio
    2010-02-17 22:01:49
    caros compatriotas disse em tempos o nosso mais velho" havemos de voltar" ai esta a chegar a época passada resolver os problemas do povo e isto parte em sermos honesto e sinceros para bons cargos. Faço grandes votos á P.G.R e em nome de toda a equipa de investigação muito sucesso e que este caso se materialize para o bom nome da nossa nação e do seu povo. Bem haja ao senhor amém.
  13. maria luiza
    2010-02-10 14:03:17
    porquê não dizem os nomes para a gente saber quem são os bandidos?
  14. Miguel Antonio Cabrito
    2010-02-05 02:47:55
    Angola vive e viveu sempre nestes casos. O roubo e oficializado principalmente no municipio de Cazenga. Em janeiro de 2009 um grupo de melhantes que coloboram com a policia de investigacao criminal em Cazenga assaltaram 1500000 dolares americanos pertencentes aos Cambistas (kinguilas) do Mercado Roque Santeiro em que ate a data presente nao ha solucoes. segundo os mentirosos o caso esta ja no tribunal de Luanda pelo que pedimos a procudoria da republica tomasse peito a este situacao
  15. Jo Manuel
    2010-02-04 12:07:09
    E uma pena q esses ladrões so estão detidos, deviam ser severamente punidos (execução directa), roubam aos que trabalham e ganham com dignidade o seu pão, mas contudo é d comentar o esforço da P.G.R e do Procurador Domingo Baxe. Que a justiça no nosso não seja so assim unica e exclusivamente em casos como estes, mas que seja igual para todos e assim confiaremos em uma angola segura e igual para todos.
  16. Joaquim Viera
    2010-02-01 14:59:05
    Meus irmaos é de louvar caso prederem este gatunos ja temos muita gente a sofrer de fome tristeza e mesmo com vulnerabilidade de vida. Estimados amigos gostaria de pedir a comunicação social para apresentar estes Sr. frente as camaras de televisão para que todo mundo saiba e possam conhecer os verdadeiros gatunos do Pais. por outra coisa cadeia perpetua e enpenhorar toda os bens casas viaturas e riqueza indevida ja que esto e do nosso povo. Obs: Não podemos perdoar estes Senhores porque não deguinificam a imagem do nosso pais enquanto estamos em pleno desenvolvimento de reconstrução do pais
  17. Ruben Mutateno
    2010-01-30 17:18:09
    So tenho a dizer q se fosse sempre esta justiça a funcionar, a dignidade nao seria do procurador, mas sim dos orgaos de justiça no Pais.Parabens Procuradoria dignifique o nome deste Pais q todos almejam conhecer
  18. Alexandre Adão Higino Chimuanga
    2010-01-30 08:42:49
    O Governo angolano, tem a vindo a dar mostra de rigor, transparencia, e acima de control, na gestão da coisa publica, isto é bom para reduzir a pobreza e o sofrimento dos angolanos.Os gestores publicos devem compreender e aceitar que já estão repletos, e deixem que governo , governa agora pelo menos a favor da camada mais desfavorecida.Obrigado pela oportunidade que me dam , viva camarada presidente José Eduardo dos Santos.
  19. Apolinário Mavakala
    2010-01-29 23:14:08
    Prendam o Dr. Armando. anda ai a mandar jovens para estudar no exterior para depois gerir o que ele robou do Tesouro Nacional... Até ja tem uma Universidade, a Metropolitana e vamos ver, se ele comeu sozinho a mesma nao será Universidade, mas se anda a pitar a massa com os boss, então veremos o contrário. ele tem mais de 60 casas em Luanda. No Nova Vida são mais de
  20. bruno miguel domingos pedro
    2010-01-29 15:47:59
    estou muito satisfeito por enviarem me esta noticia não podemos deixar de estar informado sobre estes robos isso tem avar com todos Angolanos por nós é que somos prejudicados porque o dinheiro é
  21. jose eduardo costa
    2010-01-29 15:36:15
    É ASSIM QUE SE DIGNIFICAM OS PAISES COM AUTORIDADE E COMO ESSE PAIS ME DIZ MUITO POIS PASSEIS AI A MAIOR PARTE DA MINHA VIDA E 3ENCONTRO ME NUM PAIS K E PORTUGAL ONDE A JUSTIÇA SE ARRASTA POR ANOS SEM FIM FICO SATISFEITO POR ESSE PAIS TAO JOVEM MAS COM MUITA VITALIDADE VER K A JUSTIÇA FUNCIONA PARABENS PARA AS AUTORIDADES
  22. Martius
    2010-01-29 13:10:13
    Parabéns Angola, o mundo espera o melhor de vocês, mais escolas e menos ladrões. Viva Angola, Viva o Brasil! Rumo ao futuro, viva o atlântico sul, duas nações
  23. Ana dos Santos
    2010-01-29 13:08:39
    Só esperemos que realmente se faca justica, e cuidado com "tanto segredo de justica" para que depois nao haja impunidade...Mas é de louvar o trabalho da Procuradoria,que de maneira perspicaz soube dar encaminhamento ao caso
  24. klander
    2010-01-29 12:49:45
    Sería bom que todo o desenrolar do processo fosse de domínio publico a medida que fossem desvendados alguns destes crimes
  25. carlos santos
    2010-01-29 12:42:55
    cadeia com eles.e uma vergonha,fazerem grandes vidas com o dinheiro gamado,enquanto o povo ke o poe la,vive o dia a dia com dificuldades.forca sr procurador geral adjunto,mostre como e,ponha-os no lugar ke merecem a pao e agua
  26. Luandense
    2010-01-29 11:40:49
    ROUBOU... PAGA
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