Uma equipa de especialistas da UNESCO, chefiada pelo arquitecto Lazare Eloundou-Assomo, Chefe da Unidade África do Centro do Património Mundial, encontra-se desde ontem em Luanda para um workshop sobre Convenção do Património Mundial que acontece hoje, na sala de reuniões do Instituto Nacional do Património Cultural.
O workshop será orientado pelo referido arquitecto e contará com a presença de altos responsáveis de distintos ministérios, como Rosa Cruz e Silva e Cornélio Caley, da Cultura, José Ferreira, do Urbanismo e Construção, Botelho de Vasconcelos, dos Petróleos, Pedro Mutinde, da Hotelaria e Turismo, Pedro Sebastião, governador provincial do Zaire, entre outras individualidades.
O debate prosseguirá com outros temas como o processo de nomeação e objectivos e requisitos para o dossier de nomeação (conceito de valor universal excepcional, integridade, comparação, cartografia).
À margem do workshop, será apresentado, nos próximos dias, um relatório sobre as condições do tecido urbano e potencial arqueológico de Mbanza Kongo, a possível delimitação do bem cultural, o desenvolvimento de um plano de acção e calendário até Fevereiro de 2011, com definição de responsabilidades, estratégias para a conservação de estruturas, capacitação dos técnicos, bem como os programas de sensibilização para a conservação da arquitectura em terra. Para alguns especialistas, “o processo está a caminhar bem e, aos poucos, estão-se a dissipar as dúvidas que pairavam no seio de alguns cidadãos pouco informados sobre a dimensão e impacto daquilo que foi o Reino do Kongo, correspondências entre os reis da região do Vaticano e de Portugal e obras escritas por diferentes autores sobre o Reino do Kongo.
Mbanza Congo é a capital da província do Zaire, antigo São Salvador do Congo. A cidade conta com mais de 500 anos de existência.
A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, considerou ontem, em Luanda, ser necessária a mobilização da sociedade, equipa técnica e peritos da UNESCO para desenvolverem trabalhos que comprovem a existência de condições para a nomeação da cidade de Mbanza Congo património cultural.
Em declarações à impressa no final de um encontro com peritos da UNESCO, Rosa Cruz e Silva considerou importante o engajamento da sociedade angolana no apoio que será necessário conceder às equipas que vão trabalhar em Mbanza Congo para se alcançar o objectivo preconizado pelo Governo angolano.
Tendo em conta os critérios que são solicitados pelo Centro do Património Mundial da UNESCO, realçou a ministra, a antiga capital do Reino do Congo possui valores excepcionais que a podem comprovar como património cultural mundial.
A ministra referiu que, entre os estudos históricos, inclui-se uma tarefa que é o trabalho arqueológico, tendo em conta que Mbanza Congo pode revelar não só a parte que está evidente como a antiga catedral. A governante adiantou que os peritos se deslocam amanhã a Mbanza Congo a fim de darem início ao trabalho de pesquisa arqueológica.
Rosa cruz e Silva lembrou também que Mbanza Congo não é o único monumento que foi listado, realçando ainda o Complexo Arqueológico da Pintura Rupestre do Xitundo Ulo e o Corredor do Kwanza.
Considerou que no Corredor do Kwanza haverá um trabalho mais longo, porque tem um processo de urbanização antigo, que evidencia a presença colonial com as fortalezas e igrejas. “Temos ali uma rota de navegação fluvial que verte para o oceano, cuja reconstituição também está a ser feita pelos historiadores”.