A ministra da cultura, Rosa Cruz e Silva, defendeu, em Luanda, a criação de Jangos de Leitura nas zonas rurais com vista a incentivar nas crianças o gosto pelo livro e pela leitura, visto que é nos referidos espaços que se transmitem os valores e conhecimentos fundamentais aos mais novos.
A governante, que falava à margem da recém terminada 4ª edição do Jardim do Livro Infantil, que decorreu de 24 a 27 de Junho no Parque da Independência, sob o lema “Ler é Saber, Ler é Crescer”, realçou que o livro deve estar presente nos Jangos para o estabelecimento da ponte entre a tradição e a contemporaneidade.
Na ocasião, a ministra apelou à sociedade que observe os princípios que visam a preservação das nossas tradições, de modo a que encare com determinação o que se exige, devendo a família assumir-se como um agente activo na promoção do livro e do gosto pela leitura.
“A promoção do livro e o gosto pela leitura nas escolas e jardins-deinfância devem constituir-se como espaços privilegiados com esta finalidade. Seria desejável que as acções ligadas ao livro se multiplicassem por todos os locais onde se concentram e integram vários grupos e indivíduos” disse.
A ministra garante propor às administrações comunais, municipais e povoações, a criação de núcleos de bibliotecas itinerantes para que o desenvolvimento da leitura e narração de textos nos Jangos possam ser feitos, assim como em estabelecimentos de ensino.
Centena de petizes guiados por professores e encarregados de edução voltaram a preencher os espaços do Jardim do Livro Infantil com visitas aos diferentes stands e oficinas de arte no Parque da Independência.
Promovido pelo Ministério da Cultura, através da Direcção Nacional de Industrias Culturais, o evento incluiu um leque diversificado de actividades, com destaque para sessões de leitura, artes plásticas, marionetes, espectáculos, sessões de cinema, oficinas e lançamento de três obras infantis: “As Amigas de Kalandula” de Maria Celestina Fernandes, vencedora do Prémio Jardim do Livro Infantil, “Contos de Cremilda” e a estreia de Alice Berenguel com os “Contos da Avô Ximinha”. Também foi notório o interesse dos mais novos em descobrir e redescobrir a magia das letras e o encanto da leitura feita de várias formas, cada uma à sua maneira. Com volumes a preços de oferta, os petizes não se cansavam de ler e reler os contos.
Curiosamente, os visitantes foram surpreendidos com o livro de Helga Santos e José Salomão, intitulado “Cassinda o Cão que não Come”, traduzido em português e chinês vindo da Expo-Shangai.
A este juntaram-se outros títulos de carácter histórico, ecológico, dicionários, blocos de actividade, gramáticas e sebentas. A montra discográfica também foi uma das que mais mereceu o olho clínico dos mais novos, com vários álbuns de autores desta faixa etária.
Para a sua diversão foram instalados no local oito carrosséis, compostos por numerosos bonecos, entre os quais o conhecido Panda, o rato Mikey, a Minie Mouse, Lobo Pateta, Joaninha, Cigarra, Lebres, animais que, por sua vez, marcam o universo da filmografia infantil.
A festa prosseguiu com um espectáculo de variedades infanto-juvenil.
Com vista ao desenvolvimento psicomotor dos mais novos, houve exibição de Kiela, que teve à testa o professor Joaquim Braz, culminando com um espectáculo de marionetes e um ciclo de cinema. Surpreendentemente passaram nos dois primeiros dias pelo evento mais de uma centena de visitantes com livros, discos, sorvetes, refrigerantes e pipocas à mistura.