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Teatro da CPLP no centro das atenções

Quinze grupos teatrais representando os oito países da CPLP participarão, de 14 a 25 deste mês, na cidade brasileira do Rio de Janeiro, na III edição do Festival de Teatro de Língua Portuguesa FESTLIP – 2010.

Organizado sob os auspícios da Talu Produções e Marketing, o festival visa a troca de experiências no domínio do teatro entre os diferentes grupos e companhias de artes cénicas da Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

Angola far-se-á representar, pela terceira vez este ano, por dois grupos: a Companhia de Teatro Dadaísmo e o Miragens Teatro. A lista de participantes é constituída ainda pelos grupos Barracão Cultural, Novo Ato e Galpão (do Brasil), Centro Cultural de Mindelo (Cabo Verde), Oprimido (Guiné-Bissau), Companhia de Teatro Gungu e Teatro Kudumba (Moçambique), Binólogos, A Barraca, Teatro Meridional e Trigo Limpo Teatro (Portugal), Companhia Teatral Yohanbulak (Timor-Leste) e Fóló Blagi (São Tomé e Príncipe).

A caravana angolana será constituída por 15 elementos, entre os quais incluem-se encenadores e directores artísticos. A Companhia de Teatro Dadaísmo exibir-se-á nos dias 17, 18 e 22 de Julho, às 20 horas, com a peça “Olímas”, e o Miragens Teatro nos dias 17 e 23, às 19 horas, com a peça “4 e 30”.

Vários atractivos à vista

A par do teatro, a organização reserva um leque diversificado de atractivos como a mostra de gourmet, uma pesquisa feita por Joana de Carvalho à volta de especiarias de culinária dos oito países da comunidade. Seguir-se-ão duas mesas redondas, a primeira para debates com jornalistas culturais dos países representados, que, na companhia dos encenadores, passarão em revista assuntos relacionados como a situação do teatro lusófono. A segunda é destinada aos dramaturgos e será orientada por José Mena Abrantes, director do Elinga Teatro, no painel reservado ao país.

A festa prosseguirá com uma exposição fotográfica intitulada “Teatro sem fronteira”, retratando o registo da oficina teatral itinerante do Festlip, conduzida de Outubro a Dezembro de 2009 pela actriz Tânia Pires nos oito países da CPLP, onde reuniu grupos de diversas formações para encenar textos de Ibsen.

Pelo terceiro ano consecutivo, o restaurante 00 Cozinha Contemporânea deliciará os convivas com um menu especial com pratos inspirados na culinária dos países participantes.

Festlip-Show com mil wotts de som

Trata-se de um espectáculo de variedades em larga escala, que contará com a participação de vários músicos da comunidade, entre os quais, o angolano Abel Duêrê, radicado no Brasil, o cabo-verdiano Hélio Ramalho, a orquestra brasileira Voadora, o Dj Mam com a participação especial de Elsa Lucinda e o moçambicano Cheny Wa Gune.

Para o efeito, está a ser erguido um palco italiano de forma quadrada e, para agradar os ouvidos, mil e quinhentos watts de som, incluindo um sistema de efeitos sonoros e luminosos diversos. Já a parte técnica integra uma série de projecções num clima de luz magenta, cor dominante do festival, e vários banners.

Representantes de Angola

O Miragens Teatro é constituído por uma família de jovens que, coordenados por Walter Cristóvão, determinados e incansáveis, formam um elenco que torna reais as delícias com que brindam os seus apreciadores e admiradores.

Este Colectivo foi fundado a 7 de Junho de 1995 em Luanda numa comunidade religiosa (São Luís), no Bairro Rangel. Tem como lema “Mirando por um Teatro de Intervenção Social” e propõe-se usar o teatro para informar, formar e recrear com base num trabalho de profunda pesquisa.

Com uma média de idade de 30 anos, Miragens Teatro, é hoje considerado um dos melhores grupos de Angola e tem vindo a merecer elevadas honras em diversos eventos, com particular realce para as actividades presidenciais, bem como para as constantes aprovações dos seus projectos culturais pelo Ministério da Cultura. Atraindo um numeroso público às suas exibições serve de modelo para os diferentes grupos que se forjam na actualidade.

As bases do seu teatro estão fundamentadas numa profunda pesquisa sobre a História de Angola, o que o levou a ser considerado como um “ grupo escola”, uma vez que inclui sempre dados científicos, e não só, nas suas obras.

Desde a sua fundação, o Miragens Teatro, tem granjeado prestígio e continua a conquistar admiradores e a espalhar a sua mensagem em vários quadrantes. A par disso, tem estado a levar a sua experiência a várias províncias do país. Em cada uma delas tem realizado actividades marcantes, todas elas com um denominador comum: a contribuição para que o preço de ingresso nos espectáculos tenha um certo valor .

O Miragens Teatro contribui ainda decisivamente para despertar a necessidade de formação dos actores, bem como da elevação do seu nível técnico. Deu nas vistas a presença do Miragens nas províncias de Huambo, Kwanza Norte, Benguela, Lunda Sul, Kwanza Sul, Lunda Norte, Huila e Bengo. O colectivo exibirá, no próximo dia 17, a peça “4 e 30” . Partindo de depoimentos reais, “4 e 30” reconstitui a noite do desabamento do prédio da Direcção Nacional de Investigação Criminal, também usado como prisão local.

Trata-se de uma peça que leva o público a uma viagem sobre o que teria acontecido às dez senhoras que se encontravam nos escombros, na famosa “cela das meninas”. No espectáculo, elas contam as suas experiências em relação ao facto de terem sido presas, assim como o dia de saída, prestes a chegar.

Companhia de Teatro Dadaísmo

Com sede na União dos Escritores Angolanos, a Companhia de Teatro Dadaísmo é formada por professores, universitários e actores. Além da produção de peças teatrais, também oferece cursos e workshops.

Surgiu em 2006 com a proposta de levar o Movimento Dadaísta ao teatro.

Nesta III edição do FestLip exibirá a peça teatral “Olímias”, que retrata a história de três filhos gerados por uma trama de amor e ódio, urdida por um pai infiel, fazendo cair uma maldição sobre eles. O pai terá que pagar pelos seus erros e sentir a ira da vingança. Assistirá a tudo de forma passiva, com os seus filhos amando-se e apunhalando-se, até que é chegado o momento do cumprimento da profecia.

Esta será a primeira vez que os oito países da comunidade estarão representados no certame, já que as edições anteriores foram marcadas pelas ausências de São Tomé e Timor-Leste.

O Festlip conta com apoio do Ministério da Cultura do Brasil, das Secretarias de Cultura do Estado e Município do Rio de Janeiro, FUNARTE, DGArtes Ministério da Cultura de Portugal, Instituto Camões, CPLP Comunidade dos Países da Língua Portuguesa e todas as embaixadas dos países participantes.

Satisfação

Impressionada com a afluência de espectadores às bilheteiras para a aquisição de ingressos e do empenho do pessoal nos preparativos de todos os detalhes do evento, a curadora Tânia Pires revelou a O PAÍS que se trata de uma celebração sem limites que vem crescendo desde a primeira edição e que tem aumentado de interesse junto do público.

“Neste Festival os artistas unemse, despem-se e apresentam-se dando vida às peculiaridades de suas expressões artísticas e vocabulários.

Este intercâmbio cultural entre os países falantes da mesma língua dá o brilho anual ao FESTLIP”.

As anteriores edições do FestLip incluiram 10 espectáculos, envolvendo apenas cinco países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, sendo Timor Leste e São Tomé e Príncipe os países ausentes.

Nas duas últimas edições, a organização registou mais de 400 grupos inscritos e 31 mil espectadores e este ano já estão contabilizadas 15 peças, retratando todos os países integrantes da CPLP, o que, na óptica de Tânia Pires, é mais um passo dado no reforço dos laços entre culturas distintas.

“É neste cenário que as culturas e as manifestações artísticas destes países unem forças para desenhar um novo momento na história do teatro”, assinalou.

O festival contará igualmente com a participação de Maria do Céu Guerra, uma das mais proeminentes actrizes de Portugal e integrante da Companhia de teatro A Barraca, que ajudou a constituir há 35 anos, que apresentará o espectáculo “Agosto – Contos de Emigração” e receber o troféu Festlip 2010, pela sua contribuição para o teatro há mais de quatro décadas de carreira. A par do galardão que lhe será outorgado, Maria do Céu Guerra, orientará a oficina teatral que reunirá os participantes do festival e estudantes de teatro nos dias 19 e 20 de Julho, no Espaço Sesc, em Copacabana.

“Entendemos que promover a língua portuguesa em sua diversidade e dinamismo é tarefa indispensável para o fortalecimento da nossa cultura e para afirmação da nossa visão do mundo. As edições anteriores do FESTLIP deixam claro que a unificação da língua falada é algo intangível e é a referência mais forte de um povo”.

Portugal far-se-á representar nesta edição com o maior número de companhias, ao contrário de Timor Leste e São Tomé e Príncipe os únicos países com apenas um grupo.

A par do Teatro SESC Ginástico, o palco do festival, a programação alargar-se-á à outros espaços como o Espaço SESC, SESC Tijuca e a SESC Rio Casa da Gávea e Caixa Cultural – Teatro Nelson Rodrigues.

Augusto Nunes
9 de Julho de 2010
12:16
 
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