As diligências para encarcerar os envolvidos no “caso BNA” prosseguem e até esta quinta-feira, uma fonte deste jornal avançava a apreensão de mais de uma trintena de pessoas envolvidas directamente no esquema de desfalque dos cofres do banco central angolano.
O PAÍS apurou de uma fonte familiar que a polícia apreendeu o filho de um conhecido deputado que agora exerce funções no Governo, indiciado de participação na fraude do Banco Nacional de Angola, cuja investigação está em curso.
Segundo a fonte, o filho do governante é conhecido pela sua apetência por carros de alta cilindrada que colecciona e exibe publicamente pelas ruas de Luanda. Por confirmar está também a prisão, na cidade do Lubango, de um conhecido empresário local com laços de parentesco com outro dignitário que desempenha funções ministeriais no actual Governo.
Ainda daquela cidade meridional de Angola chegam informações que dão conta da prisão de duas pessoas, uma das quais detentora de uma conta bancária com aproximadamente 13 milhões de dólares americanos, domiciliada num banco local.
Uma fonte contactada a partir do Lubango, que reportava uma conversa com um contacto no comando local da polícia, confirmou que estão em curso algumas diligências de buscas na região, tendo sido já apreendidas algumas viaturas de pessoas suspeitas.
Por outro lado, já foi apreendido o jovem empregado bancário de 26 anos, que tinha depositados na sua conta pessoal o montante de 9 milhões de dólares americanos.
Na véspera da prisão, segundo uma fonte policial, foi surpreendido quando tentava transferir para a conta da irmã o montante de 2 milhões de dólares americanos, aparentemente para ocultar pistas da sua riqueza ilícita, mas a polícia foi a tempo de abortar a operação.
Além desse feito, prosseguem as fontes, a polícia também pôde apreender três das cinco viaturas topo de gama registadas em seu nome, estando as outras por descobrir a sua localização.
O PAÍS apurou que aos detidos no quadro desta operação está vedado o direito de receber visitas de familiares, sendo permitida apenas a entrada de alimentos.
Face a esta situação criada pelo sistema prisional, a família pretende contactar os serviços de uma advogado da praça para interagir com ele e, por intermédio daquele, tomar conhecimento do seu estado.
Entre o património do jovem licenciado há cerca de dois anos em gestão numa universidade portuguesa constam dois apartamentos e uma vivenda localizada algures nas imediações da sede da ANGOP em Luanda.
Entre os seus hábitos ostensivos de acumulação de riqueza consta o facto de ter tirado a sua mãe do bairro Hoji Ya henda onde vivia, para um apartamento no centro da cidade. A polícia, entretanto, recuperou todos esses bens.
A sua prisão surpreeendeu-o, pois uma semana depois do seu encarceramento era suposto realizar a cerimónia de noivado que estava preparada para decorrer numa das salas, já paga, do Hotel Skyna de que, aliás, segundo as fontes deste jornal, era um frequentador assíduo, passando a fazer parte do seu modo de vida.
Uma fonte do BNA disse reinar entre os funcionários da instituição um clima generalizado de pavor com o apertado esquema de segurança após a desarticulação do anterior, por suspeitas de conivência na desova de um contentor que continha avultados valores em kwanzas.
Segundo a fonte que vimos citando, no espaço de aproximadamente uma semana, entre 31 de janeiro e 5 de fevereiro foi que tudo aconteceu, levando à intervenção da polícia de investigação criminal no lugar e a consequente mudança da guarda.
Um clima pesado reina também na área de reservas que supostamente detém o controlo total dos valores monetários nas caixas fortes do Banco Nacional de Angola.
Mas a situação que mais inquieta é mesmo de natureza da quebra da confidencialidade das contas individuais. “A minha conta até já foi rastreada sem a minha autorização, as pessoas estão todas com medo”, confessou a nossa fonte, que acrescentou: “Eles agiram como uma verdadeira quadrilha”. Informações de última hora davam indicações de que a operação de investigações e capturas estendeu-se até à província do Kuanzasul de onde se esperam mais notícias nos próximos dias.
Dado certo é que tendo em conta a heterogeneidade social do grupo de pessoas sob suspeita e investigação, várias forças concorrem na descoberta da trama e captura dos supostos infractores.